segunda-feira, 19 de maio de 2008
Construção de um Questionário
Assim, as perguntas devem ser:
v Claras (devem ser compreendidas do mesmo modo por todos os inquiridos);
v Curtas;
v Limitadas a um só problema;
v Directas (evitar fazer perguntas pela negativa);
v Simples (evitar perguntas duplas);
Para além dos aspectos referidos acrescentaríamos a necessidade de os inquéritos possuírem instruções claras para quem tem que responder sentir que compreendeu evitando a ambiguidade, assim, devem também possuir questões que não sugiram interpretações que levem ao erro na resposta e que sejam inépcias. Os inquéritos por questionário devem ainda ser acompanhados por uma introdução, em especial se não forem distribuídos por quem os elaborou. Esta introdução deve clarificar os propósitos do questionário e explicitando o tratamento que será dado aos dados recolhidos e garantir a total confidencialidade dos dados que o inquirido colocar no preenchimento do questionário.
Segundo Carmo & Ferreira (1998:137), duas questões devem ser tidas em consideração na elaboração dos questionários, são elas: “o cuidado a ser posto na formulação das perguntas e a forma mediatizada de contactar com os inquiridos”.
Normalmente, os questionários integram vários tipos de perguntas:
v Perguntas de identificação;
v Perguntas de informação;
v Perguntas de descanso;
v Perguntas de controlo.
Uma questão também importante, é a decisão a tomar quanto à ordenação dos itens do questionário. As primeiras questões podem condicionar as respostas seguintes. Num estudo apresentado por Shuman, Presser e Ludwig (1981), observou-se que as respostas ao questionário dependiam da ordem em que as questões eram colocadas.
Um bom procedimento a ter em conta é começar com questões interessantes que captem a atenção dos respondentes. Assim:
v Os dados demográficos podem (devem) ser colocados no fim;
v As questões devem ser colocadas em funil (do geral para o específico);
v Nas questões sobre raças: usar sempre a mesma ordem em todos os subgrupos da amostra contrabalançando assim o efeito da ordem; recorrer a diferentes ordenações das questões, conforme os subgrupos da amostra, assim neutralizando o efeito da ordem;
v As questões em filtro, devem ser usadas com cuidado, isto é a questão geral não deve condicionar as mais especificas;
v As questões inversas, devem ser intercaladas com as questões directas.
Contudo, as questões usadas nos questionários podem ter duas formas: abertas e fechadas. As questões abertas obrigam ao agrupamento por categorias, enquanto nas questões fechadas pode-se obter apenas um tipo de resposta e que pode ter dois significados: a pergunta não traz informação relevante e deve ser excluída, ou a população que respondeu é demasiado homogénea. Nas questões mal colocadas não se consegue categorizar, o que nos obriga à reformulação destas.
As perguntas fechadas são úteis em perguntas que do ponto de vista social são delicadas, como por exemplo, a orientação sexuais. Segundo Ghiglione & Matalon (2001), estas questões podem ser construídas de 5 formas:
v Resposta mais adequada;
v Várias hipóteses de resposta para escolher, sem limite;
v Várias hipóteses de resposta para escolher, com limite;
v Ordenar as diferentes respostas;
v Ordenar as diferentes respostas, mas com limite.
A elaboração e aplicação de um questionário passa por três fases, segundo Carmo & Ferreira (1998:140-147):
v Fase preliminar (antes);
v Decorrer (durante);
v Fase subsequente (depois).
Fase preliminar
Construção das perguntas (estas devem ser precedidas de entrevistas, de modo a obter informação suficiente para a construção das questões):
v Em número adequado – estas devem ser em número adequado para responder à problemática em investigação, bem como às características da amostra e do tempo que os participantes terão disponível para responder (Ex.: os inquérios de rua devem ser curtos);
v Devem ser fechadas tanto quanto possível, contudo no início devemos ter questões abertas para que os participantes sintam que a sua opinião conta e de forma a suscitar interesse;
v Compreensíveis para os respondentes;
v Não ambíguas;
v Evitar indiscrições gratuitas
v Confirmarem-se (através de perguntas de controlo)
v Abrangerem todos os pontos a questionar;
v Serem pertinentes relativamente à experiência do inquirido;
v Recorrer a escalas de atitudes (permitem ao investigador medir atitudes e opiniões dos inquiridos).
Entre as escalas de atitude destacam-se as chamadas escalas de tipo Thurstone (Sim/Não) e as de Likert (1-9). A escala tipo Likert baseia-se nos mesmos princípios que a de Thurstone, mas tem a vantagem de ser mais fácil na sua construção.
Apresentação do questionário (este aspecto é muito importante pois vai ser a imagem da investigação) carece de especial atenção nos seguintes aspectos:
v Apresentação do investigador;
v Apresentação do tema a investigar;
v Instruções claras e precisas;
v Disposição gráfica;
v Número de folhas (muitas folhas vai suscitar uma reacção negativa ao inquirido).
Fase do decorrer
Nesta fase deve-se:
v Aplicar questionários teste para avaliar a sua clareza e rigor, a cerca de 50 pessoas (pré teste).
v Reformular (se tal se verificar necessário)
v Aplicar à amostra escolhida
Fase subsequente
Na fase subsequente (depois) deve-se:
v Efectuar uma primeira leitura a fim de verificar a fiabilidade das respostas e codificar as respostas a questões abertas (se existirem);
v Aplicação do questionário;
v Análise de dados.
Também a análise, ou tratamento dos resultados deve ser , válida e fiável. Dos métodos destacamos os seguintes:
Análise de conteúdo;
Cálculo de índices;
Representação gráfica;
Métodos estatísticos (paramétricos e não paramétricos)
O Questionário
Um questionário é uma lista organizada de perguntas que visa obter informações de natureza muito diversa tais como interesses, motivações, atitudes ou opiniões das pessoas.
Para Tuckman (2002:15-17) “a investigação por inquérito é um tipo específico de investigação que aparece frequentemente no campo da educação” mas adianta que “a interpretação dessas respostas pode não ser a mais correcta, dado não existir um termo de comparação”. O autor é de opinião de que o inquérito é “uma técnica potencialmente muito útil em educação (…) [e] tem um valor inegável na recolha de dados”, o que é reiterado por Bell (1997:100) quando nos diz que “os inquéritos constituem uma forma rápida e relativamente barata de recolher um determinado tipo de informação (…)”(cit. Conceição Brito, 2006).
Segundo Muñoz (2003) o questionário enquanto instrumento de investigação e de recolha de dados, é um instrumento versátil que permite a sua utilização como um instrumento de investigação e de avaliação de pessoas, processos e programas de formação. É uma técnica de avaliação que pode abarcar aspectos qualitativos e quantitativos, sendo muito usada na investigação quantitativa e nos estudos de opinião.
O questionário é extremamente útil quando um investigador pretende recolher informação sobre um determinado tema, constituindo uma parte fundamental de uma boa investigação. Para isso é necessário assegurar que as perguntas são as adequadas e que os dados recolhidos permitem responder à pergunta de partida. Tuckman (2002:308) afirma que “os questionários e as entrevistas são processos para adquirir dados acerca das pessoas, sobretudo interrogando-as e não observando-as, ou recolhendo amostras do seu comportamento (…)” (cit. Conceição Brito, 2006).
Não existe um método-padrão para se formular um questionário. Porém, existem algumas recomendações, bem como factores a ter em conta relativamente a essa importante tarefa num processo de pesquisa.
3- Recolha de Dados
Existem algumas questões que devem preceder qualquer recolha de dados:
v Qual o objectivo?
v Qual a informação a recolher?
v Tem utilidade?
v Tem qualidade?
v É suficiente?
v Que fazer com ela?
A recolha de dados ou de informações pode ser feita utilizando vários métodos, com destaque para os seguintes: análise de documentos; inquérito por questionário; observação e entrevista (Veiga, 1996).
O processo da recolha de dados é condicionado por um filtro epistemológico: não há investigação isenta de um referencial pessoal, mais ou menos explicito e frequentemente ligado ao poder alcançado por quem recolhe a informação, ou por quem a utiliza. (De Ketele& Roegiers, 1991). Em relação ao poder podem levantar-se várias questões:
· Qual o objectivo da recolha de dados?
· Visa o avanço da ciência?
· Visa a verdade ou conduz à sua ocultação?
· Baseia-se na objectividade?
· Insere-se em princípios éticos?
No processo de recolha de dados a validação do instrumento é essencial. Esta consiste na certificação de que as informações recolhidas servem o objectivo da investigação. Neste sentido devemos perguntar-nos se as informações são:
§ Pertinentes - acessíveis, necessárias e suficientes;
§ Válidas – reflectem a realidade;
§ Fiáveis.
Por outro lado, devemos ter em consideração a validação a priori do instrumento que deve ser feita antes de o utilizar e tendo sempre em atenção os três aspectos já mencionados anteriormente: pertinência, fiabilidade e validade e a validação à posteriori em que consiste em saber se é possível realizar a análise dos resultados, com objectividade e em tempo útil.
Por último, temos a análise ou tratamento dos resultados que também deve ser: pertinente, válida e fiável. Existem muitos métodos de analise de resultados, mas destacamos os seguintes:
§ Análise de conteúdo;
§ Cálculo de índices;
§ Representação gráfica;
§ Métodos estatísticos.
A opção por um ou outro método depende do tipo de instrumento que se decidiu utilizar para a recolha de dados.
& Veiga, F. H. (1996) Recolha de dados: O Questionário. Lisboa: Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.De Ketele & Roegiers (1991) Methodologie de recueillement de information.Bruxelas:De Boeck
sábado, 17 de maio de 2008
Etapas dum Projecto de Investigação
A construção de um projecto de investigação pressupõe uma serie de etapas que o estruturam, lhe dão sustentabilidade e coerência.
Começaremos por enunciar os procedimentos científicos descrevendo os princípios que estes actos encetam.
- Fase de Ruptura (etapas 1,2 e3) - consiste em romper com os preconceitos e as falsas evidencias que nos dão a ilusão de compreender as coisas;
- Fase de Construção (etapa4) – representação teórica prévia que exprime a lógica que o investigador supõe estar na base do fenómeno. Sem esta construção teórica não haveria experimentação válida;
- Fase de Verificação (etapas 5,6 e7) – uma proposição só poderá ser considerada cientifica se poder ser verificada pelos factos.
Os três actos do procedimento científico, não são independentes uns dos outros, eles constituem-se mutuamente. Por exemplo, a ruptura não acontece só no inicio, ela pode acontecer a cada momento e completa-se na e pela construção. Por outro lado a verificação vai buscar o seu valor à qualidade da construção. Estes actos são concretizados através do encadeamento lógico de etapas que estão em permanente interacção.
1ª etapa - Pergunta de Partida
Formular a pergunta de partida tendo em atenção: a clareza, a exequibilidade e a pertinência.
2ª etapa – A Exploração
As leituras: seleccionar os textos, ler com método, resumir, comparar os textos entre si e com as entrevistas;
As entrevistas exploratórias: preparar - se para as entrevistas, encontrar –se com as pessoas implicadas, adoptar uma atitude de escuta e abertura e descodificar os discursos.
3ª etapa – A Problemática
Fazer o balanço das leituras e das entrevistas, estabelecer um quadro teórico e explicar a problemática retida.
4ª etapa – A Construção
Construir as hipóteses e o modelo, precisando: as relações entre os conceitos e as relações entre as hipóteses.
Construir os conceitos, precisando: as dimensões e os indicadores.
5ª etapa – A Observação
Delimitar o campo de observação;
Conceber o instrumento de observação;
Testar o instrumento de observação;
Proceder à recolha das informações.
6ª etapa – A Análise das Informações
Descrever e preparar os dados para a análise;
Medir as relações entre as variáveis;
Comparar os resultados esperados com os resultados observados;
Procurar o significado das diferenças.
7ª etapa – A Conclusão
Recapitular o procedimento;
Apresentar os resultados, pondo em evidencia: os novos conhecimentos e as consequências práticas.
Quivy & Campenhoudt (1992) Manual de Investigação em Ciências Sociais, Gradiva
Combinação de Métodos Quantitativos e Qualitativos
A triangulação de dados - o uso de uma variedade de fontes num mesmo estudo;
A triangulação de investigadores – o uso de vários investigadores ou avaliadores;
A triangulação de teorias – o uso de várias perspectivas para interpretar um conjunto de dados;
A triangulação metodológica – o uso de diferentes métodos para estudar um dado problema.
A justificação da triangulação é de que cada método revela diferentes aspectos da realidade e por isso devemos utilizar diferentes métodos para observar essa realidade. Por outro lado, a utilização de uma combinação de métodos pode permitir uma melhor compreensão dos fenómenos e assim, alcançar resultados mais seguros. No entanto, esta combinação de métodos apresenta como desvantagem o custo, o tempo e a habilidade do investigador para dominar os dois métodos de investigação. (Carmo & Ferreira, 1998)
Competências de um investigador:
· Gerir a informação disponível;
· Traçar um plano de trabalho;
· Ser humilde intelectualmente;
· Partilhar informações com outros investigadores;
· Gerir o tempo;
· Gerir as tarefas a que se propõe;
· Ser crítico face à informação que recolhe;
· Seleccionar a metodologia mais adequada para o desenvolvimento da investigação;
· Proceder uma análise coerente e profunda dos dados recolhidos;
· Possuir espírito crítico face aos dados recolhidos;
· Ter capacidades linguísticas e fluência na escrita.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Investigação Qualitativa e Quantitativa


Pita Fernández, S., Pértegas Díaz, S.,2002
http://www.fisterra.com/mbe/investiga/cuanti_cuali/cuanti_cuali2.pdf
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Métodos e Técnicas de Investigação em Ciências Sociais
Dada a diversidade de definições de métodos, apresentamos a definição de Madeleine Grawitz (1993). Assim, a autora define métodos como “um conjunto concertado de operações que são realizadas para atingir um ou mais objectivos, um corpo de princípios que presidem a toda a investigação organizada, um conjunto de normas que permitem seleccionar e coordenar técnicas.” (cit., Carmo, 1998: 175) As técnicas são definidas como procedimentos operatórios rigorosos, bem definidos, transmissíveis, susceptíveis de serem novamente aplicados nas mesmas condições, adaptados ao tipo de problemas e aos fenómenos em causa. A escolha da técnica depende do objectivo que se pretende atingir. (ibidem)
Investigação quantitativa
A investigação dita quantitativa tem sido o paradigma dominante da investigação em educação, permitindo avanços significativos no que respeita ao ensino, à aprendizagem e à educação em geral. Mas devido a algumas investigações, principalmente no campo da psicologia, reconheceu-se-lhe as suas limitações e a necessidade de se recorrer aos métodos qualitativos.
A questão central da investigação quantitativa é determinar até que ponto os resultados obtidos são generalizáveis à população. Isto implica a utilização de técnicas que permitam seleccionar e dimensionar as amostras, assim como da selecção aleatória dos sujeitos da amostra.
Uma das suas vantagens é a análise e integração dos resultados dum conjunto mais ou menos alargado de investigações sobre um tema. Noutro sentido como principal limitação temos o facto de o investigador ser incapaz de manipular ou controlar certos aspectos (variáveis independentes), sendo o controlo uma das grandes limitações deste método.
Características:
a) Utilização do método experimental ou quasi-experimental;
b) Formulação de hipóteses que exprimem relações entre variáveis;
c) Controlo de outras variáveis;
d) Selecção probabilística de uma amostra a partir de uma população rigorosamente definida;
e) Testagem de hipóteses mediante a utilização de análise estatística dos dados recolhidos;
f) Generalização dos resultados obtidos a partir da amostra à população em estudo.
Investigação qualitativa
A investigação qualitativa centra-se na compreensão dos problemas, investigando o que está “por trás” de certos comportamentos, atitudes ou convicções. Não há qualquer preocupação com a dimensão da amostra nem com a generalização de resultados e não se coloca o problema da validade e da fiabilidade dos instrumentos, como acontece com a investigação quantitativa. Aqui o investigador é o “instrumento” de recolha de dados, a qualidade (validade e fiabilidade) dos dados depende muito da sua sensibilidade, da sua integridade e do seu conhecimento.
Uma das vantagens deste tipo de investigação é a possibilidade de gerar boas hipóteses de investigação, devido ao facto de se utilizarem técnicas como: entrevistas detalhadas, observações minuciosas e análise de produtos escritos (relatórios, testes, composições). Este tipo de investigação também tem limitações, sendo a objectividade a maior delas. Existem problemas de objectividade que podem resultar da pouca experiencia, da falta de conhecimentos e de sensibilidade do investigador.
Características:
a) A investigação qualitativa é naturalista;
b) A investigação qualitativa é indutiva. O investigador desenvolve conceitos e chega à compreensão dos fenómenos a partir de padrões resultantes da recolha de dados (Não recolhe dados para testar hipóteses);
c) A investigação qualitativa é descritiva. É uma investigação que produz dados descritivos a partir de documentos, entrevistas e da observação. A descrição tem que ser profunda e rigorosa;
d) Na investigação qualitativa tem maior interesse o processo do que o produto;
e) O investigador é o principal instrumento da recolha de dados. Tem que procurar ser objectivo;
f) A investigação qualitativa é holística. Tem em conta a realidade global;
g) O significado tem uma grande importância. O investigador tenta compreender os sujeitos de investigação a partir dos quadros de referência, dos significados que atribuem aos acontecimentos, às palavras, aos objectos.
h) O investigador tem ainda que mostrar uma grande sensibilidade em relação ao contexto onde está a realizar a investigação;
i) O plano de investigação é flexível, pois o investigador estuda sistemas dinâmicos.
Bogdan e Bliken (1994). Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora.
Carmo, H. & Ferreira, M.M. (1998). Metodologia da investigação: Guia para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta