segunda-feira, 19 de maio de 2008

3- Recolha de Dados

A recolha de dados é um processo organizado de procura de informações, em fontes adequadas e válidas, que tem como objectivo a compreensão de uma dada situação.
Existem algumas questões que devem preceder qualquer recolha de dados:
v Qual o objectivo?
v Qual a informação a recolher?
v Tem utilidade?
v Tem qualidade?
v É suficiente?
v Que fazer com ela?
A recolha de dados ou de informações pode ser feita utilizando vários métodos, com destaque para os seguintes: análise de documentos; inquérito por questionário; observação e entrevista (Veiga, 1996).
O processo da recolha de dados é condicionado por um filtro epistemológico: não há investigação isenta de um referencial pessoal, mais ou menos explicito e frequentemente ligado ao poder alcançado por quem recolhe a informação, ou por quem a utiliza. (De Ketele& Roegiers, 1991). Em relação ao poder podem levantar-se várias questões:
· Qual o objectivo da recolha de dados?
· Visa o avanço da ciência?
· Visa a verdade ou conduz à sua ocultação?
· Baseia-se na objectividade?
· Insere-se em princípios éticos?
No processo de recolha de dados a validação do instrumento é essencial. Esta consiste na certificação de que as informações recolhidas servem o objectivo da investigação. Neste sentido devemos perguntar-nos se as informações são:
§ Pertinentes - acessíveis, necessárias e suficientes;
§ Válidas – reflectem a realidade;
§ Fiáveis.
Por outro lado, devemos ter em consideração a validação a priori do instrumento que deve ser feita antes de o utilizar e tendo sempre em atenção os três aspectos já mencionados anteriormente: pertinência, fiabilidade e validade e a validação à posteriori em que consiste em saber se é possível realizar a análise dos resultados, com objectividade e em tempo útil.
Por último, temos a análise ou tratamento dos resultados que também deve ser: pertinente, válida e fiável. Existem muitos métodos de analise de resultados, mas destacamos os seguintes:
§ Análise de conteúdo;
§ Cálculo de índices;
§ Representação gráfica;
§ Métodos estatísticos.
A opção por um ou outro método depende do tipo de instrumento que se decidiu utilizar para a recolha de dados.
& Veiga, F. H. (1996) Recolha de dados: O Questionário. Lisboa: Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.De Ketele & Roegiers (1991) Methodologie de recueillement de information.Bruxelas:De Boeck

sábado, 17 de maio de 2008

Etapas dum Projecto de Investigação

A investigação e um processo sistemático e rigoroso que conduz à aquisição de novos conhecimentos, quer sejam nos domínios das ciências da saúde, das ciências sociais ou das ciências humanas (Fortim, 1996). O rigor e a sistematização são características fulcrais da investigação pois o rigor, do qual depende a exactidão científica tem em certa parte a capacidade de certificar uma percepção fiável e exacta da realidade (Gauthier, 1992). A sistematização resulta do método, isto é, de uma forma organizada e ordenada de alcançar um objectivo.
A construção de um projecto de investigação pressupõe uma serie de etapas que o estruturam, lhe dão sustentabilidade e coerência.
Começaremos por enunciar os procedimentos científicos descrevendo os princípios que estes actos encetam.
- Fase de Ruptura (etapas 1,2 e3) - consiste em romper com os preconceitos e as falsas evidencias que nos dão a ilusão de compreender as coisas;
- Fase de Construção (etapa4) – representação teórica prévia que exprime a lógica que o investigador supõe estar na base do fenómeno. Sem esta construção teórica não haveria experimentação válida;
- Fase de Verificação (etapas 5,6 e7) – uma proposição só poderá ser considerada cientifica se poder ser verificada pelos factos.
Os três actos do procedimento científico, não são independentes uns dos outros, eles constituem-se mutuamente. Por exemplo, a ruptura não acontece só no inicio, ela pode acontecer a cada momento e completa-se na e pela construção. Por outro lado a verificação vai buscar o seu valor à qualidade da construção. Estes actos são concretizados através do encadeamento lógico de etapas que estão em permanente interacção.

Etapas dum projecto de investigação

1ª etapa - Pergunta de Partida
Formular a pergunta de partida tendo em atenção: a clareza, a exequibilidade e a pertinência.
2ª etapa – A Exploração
As leituras: seleccionar os textos, ler com método, resumir, comparar os textos entre si e com as entrevistas;
As entrevistas exploratórias: preparar - se para as entrevistas, encontrar –se com as pessoas implicadas, adoptar uma atitude de escuta e abertura e descodificar os discursos.
3ª etapa – A Problemática
Fazer o balanço das leituras e das entrevistas, estabelecer um quadro teórico e explicar a problemática retida.
4ª etapa – A Construção
Construir as hipóteses e o modelo, precisando: as relações entre os conceitos e as relações entre as hipóteses.
Construir os conceitos, precisando: as dimensões e os indicadores.
5ª etapa – A Observação
Delimitar o campo de observação;
Conceber o instrumento de observação;
Testar o instrumento de observação;
Proceder à recolha das informações.
6ª etapa – A Análise das Informações
Descrever e preparar os dados para a análise;
Medir as relações entre as variáveis;
Comparar os resultados esperados com os resultados observados;
Procurar o significado das diferenças.
7ª etapa – A Conclusão
Recapitular o procedimento;
Apresentar os resultados, pondo em evidencia: os novos conhecimentos e as consequências práticas.

Quivy & Campenhoudt (1992) Manual de Investigação em Ciências Sociais, Gradiva

Combinação de Métodos Quantitativos e Qualitativos

Autores como Reichardt e Cook (1986), são da opinião que um investigador não é obrigado a optar pela utilização em exclusivo de métodos quantitativos ou qualitativos, podendo e caso a investigação o exija, optar por combinar estes dois métodos. Vários são os investigadores que utilizam estes dois métodos em conjunto, dos quais destacamos: Miles e Hubermann (1984) e Patton (1990). Patton refere que para que um plano de investigação seja mais “sólido” é necessário a combinação destes métodos. A esta combinação Patton designa de triangulação e cita os diferentes tipos de triangulação enunciados por Denzin (1978):
A triangulação de dados - o uso de uma variedade de fontes num mesmo estudo;
A triangulação de investigadores – o uso de vários investigadores ou avaliadores;
A triangulação de teorias – o uso de várias perspectivas para interpretar um conjunto de dados;
A triangulação metodológica – o uso de diferentes métodos para estudar um dado problema.
A justificação da triangulação é de que cada método revela diferentes aspectos da realidade e por isso devemos utilizar diferentes métodos para observar essa realidade. Por outro lado, a utilização de uma combinação de métodos pode permitir uma melhor compreensão dos fenómenos e assim, alcançar resultados mais seguros. No entanto, esta combinação de métodos apresenta como desvantagem o custo, o tempo e a habilidade do investigador para dominar os dois métodos de investigação. (Carmo & Ferreira, 1998)
Competências de um investigador:

· Gerir a informação disponível;
· Traçar um plano de trabalho;
· Ser humilde intelectualmente;
· Partilhar informações com outros investigadores;
· Gerir o tempo;
· Gerir as tarefas a que se propõe;
· Ser crítico face à informação que recolhe;
· Seleccionar a metodologia mais adequada para o desenvolvimento da investigação;
· Proceder uma análise coerente e profunda dos dados recolhidos;
· Possuir espírito crítico face aos dados recolhidos;
· Ter capacidades linguísticas e fluência na escrita.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Métodos e Técnicas de Investigação em Ciências Sociais

Métodos e Técnicas de Investigação em Ciências Sociais

Dada a diversidade de definições de métodos, apresentamos a definição de Madeleine Grawitz (1993). Assim, a autora define métodos como “um conjunto concertado de operações que são realizadas para atingir um ou mais objectivos, um corpo de princípios que presidem a toda a investigação organizada, um conjunto de normas que permitem seleccionar e coordenar técnicas.” (cit., Carmo, 1998: 175) As técnicas são definidas como procedimentos operatórios rigorosos, bem definidos, transmissíveis, susceptíveis de serem novamente aplicados nas mesmas condições, adaptados ao tipo de problemas e aos fenómenos em causa. A escolha da técnica depende do objectivo que se pretende atingir. (ibidem)

Investigação quantitativa

A investigação dita quantitativa tem sido o paradigma dominante da investigação em educação, permitindo avanços significativos no que respeita ao ensino, à aprendizagem e à educação em geral. Mas devido a algumas investigações, principalmente no campo da psicologia, reconheceu-se-lhe as suas limitações e a necessidade de se recorrer aos métodos qualitativos.
A questão central da investigação quantitativa é determinar até que ponto os resultados obtidos são generalizáveis à população. Isto implica a utilização de técnicas que permitam seleccionar e dimensionar as amostras, assim como da selecção aleatória dos sujeitos da amostra.
Uma das suas vantagens é a análise e integração dos resultados dum conjunto mais ou menos alargado de investigações sobre um tema. Noutro sentido como principal limitação temos o facto de o investigador ser incapaz de manipular ou controlar certos aspectos (variáveis independentes), sendo o controlo uma das grandes limitações deste método.

Características:
a) Utilização do método experimental ou quasi-experimental;
b) Formulação de hipóteses que exprimem relações entre variáveis;
c) Controlo de outras variáveis;
d) Selecção probabilística de uma amostra a partir de uma população rigorosamente definida;
e) Testagem de hipóteses mediante a utilização de análise estatística dos dados recolhidos;
f) Generalização dos resultados obtidos a partir da amostra à população em estudo.

Investigação qualitativa

A investigação qualitativa centra-se na compreensão dos problemas, investigando o que está “por trás” de certos comportamentos, atitudes ou convicções. Não há qualquer preocupação com a dimensão da amostra nem com a generalização de resultados e não se coloca o problema da validade e da fiabilidade dos instrumentos, como acontece com a investigação quantitativa. Aqui o investigador é o “instrumento” de recolha de dados, a qualidade (validade e fiabilidade) dos dados depende muito da sua sensibilidade, da sua integridade e do seu conhecimento.
Uma das vantagens deste tipo de investigação é a possibilidade de gerar boas hipóteses de investigação, devido ao facto de se utilizarem técnicas como: entrevistas detalhadas, observações minuciosas e análise de produtos escritos (relatórios, testes, composições). Este tipo de investigação também tem limitações, sendo a objectividade a maior delas. Existem problemas de objectividade que podem resultar da pouca experiencia, da falta de conhecimentos e de sensibilidade do investigador.

Características:
a) A investigação qualitativa é naturalista;
b) A investigação qualitativa é indutiva. O investigador desenvolve conceitos e chega à compreensão dos fenómenos a partir de padrões resultantes da recolha de dados (Não recolhe dados para testar hipóteses);
c) A investigação qualitativa é descritiva. É uma investigação que produz dados descritivos a partir de documentos, entrevistas e da observação. A descrição tem que ser profunda e rigorosa;
d) Na investigação qualitativa tem maior interesse o processo do que o produto;
e) O investigador é o principal instrumento da recolha de dados. Tem que procurar ser objectivo;
f) A investigação qualitativa é holística. Tem em conta a realidade global;
g) O significado tem uma grande importância. O investigador tenta compreender os sujeitos de investigação a partir dos quadros de referência, dos significados que atribuem aos acontecimentos, às palavras, aos objectos.
h) O investigador tem ainda que mostrar uma grande sensibilidade em relação ao contexto onde está a realizar a investigação;
i) O plano de investigação é flexível, pois o investigador estuda sistemas dinâmicos.


Bogdan e Bliken (1994). Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora.

Carmo, H. & Ferreira, M.M. (1998). Metodologia da investigação: Guia para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Investigação em Educação II

Tipos de investigação
A investigação tem sido tradicionalmente classificada em dois tipos: pura e aplicada, o que é muito redutor, assim iremos considerar a investigação em três vertentes: exploração, experimentação e resolução de problemas, aplicáveis tanto à investigação qualitativa como à investigação quantitativa.

1. Exploração
Este é o tipo de investigação que lida com os novos problemas /assuntos /tópicos sobre os quais pouco se conhece, pelo que não é possível, logo de início, formular muito bem a ideia a investigar.
2.Experimentação
Neste tipo de investigação, tenta-se encontrar os limites das generalizações previamente propostas.
3.Resolução de problemas
Neste tipo de investigação, partimos de um determinado problema “do mundo real” e reunimos todos os recursos intelectuais possíveis para nos concentrarmos na sua solução.


Fases de uma investigação
1 - Definição do problema e fase exploratória
2 - A Construção da problemática e do modelo de análise (conceitos e hipóteses)
3- Operacionalização de conceitos
4 - A observação e a recolha de informação: métodos e técnicas
5- Análise e interpretação dos resultados 6 Estrutura de um relatório de investigação: partes constitutivas e regras básicas de apresentação.




http://www.southalabama.edu/coe/bset/johnson/dr_johnson/2lectures.htm http://carla.cristiana.googlepages.com/ComoFazer1Tese_Eco.pdf

quinta-feira, 3 de abril de 2008

2- Investigação em Educação I


" A investigação, tal como a diplomacia, é a arte do possível" W.Q. Patton

Os métodos e as técnicas de investigação em educação têm uma intencionalidade: conhecer a realidade educacional. Tendo como base o objecto de estudo, os métodos, sustentados por referentes teóricos, enquadram o plano de trabalho de investigação e sugerem os procedimentos técnicos de recolha e tratamento de informação consistentes com os propósitos da própria investigação.

O que é Investigação?
Uma investigação é um processo de construção do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento pré - existente. É basicamente um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual esta se desenvolve. A pesquisa como actividade regular também pode ser definida como o conjunto de actividades orientadas e planejados pela busca de um conhecimento. (http://www.wikipédia.org/)
Objectivos da investigação educacional
1. Exploração;
2. Descrição;
3. Explicação;
4. Predição;
5. Influência.

Características de uma boa investigação

Uma boa investigação caracteriza-se por três aspectos distintos, mas interligados, que distinguem esta actividade de actividades como a recolha de informações, a tomada de decisões, entre outras.
1. A investigação baseia-se num sistema de pensamento aberto;
Para o investigador, o mundo é, por princípio, a sua ostra. Pode debruçar-se sobre o que quiser. Não existem sistemas fechados.
2. Os investigadores analisam os dados com espírito crítico;
Os investigadores vêem-se continuamente obrigados a perguntar: Os factos foram devidamente apurados? Não será possível obter dados mais precisos? Será que os resultados não podem ser interpretados de uma forma diferente?
3. Os investigadores generalizam e especificam os limites das suas generalizações;
O objectivo da investigação é obter generalizações válidas, porque esta é a forma mais eficaz de aplicar as percepções a uma grande variedade de situações – mas surgem aqui algumas dificuldades.

http://www.southalabama.edu/coe/bset/johnson/dr_johnson/2lectures.htm

http://carla.cristiana.googlepages.com/ComoFazer1Tese_Eco.pdf